O futuro da música digital

Não é nova a briga das grandes gravadoras contra os meios de distribuição de música em meios digitais. A maior vítima dessa guerra, talvez, foi o Napster. Criado em 1999, popularizado em 2000 e mutilado e desfacelado em 2001, ele foi o pioneiro dos programas P2P(peer-to-peer). Ele chegou a atingir 8 milhões de usuários em janeiro de 2001, mas viu sua ruína com as inúmeras ações das gravadoras, que o acusavam de promover a pirataria de conteúdo com copyright através da internet. Teve então seus servidores desligados e passou a vender música on-line no final de 2002, quando foi comprado pela Roxio.

Mas seu legado não podia mais ser escondido. O sucesso que as redes P2P criaram foi enorme, com vários outros protocolos e serviços que apareceram depois. Tanto é frenético o tráfego de músicas ilegais pela rede que a Jupiter Research afirma em relatório que para 1 música vendida legalmente, 100 músicas são compartilhadas ilegalmente pela internet. Para frear toda essa massa de música digital que trafega sem gerar receitas, as gravadoras adotaram o DRM (Digital Rights Management) para tentar proteger suas músicas de cópias. Mas o tiro saiu pela culatra, pois com certa aceitação no começo, o DRM não conseguiu fazer com que o tráfego de músicas sem DRM fosse contido nas redes P2P.

Já é algo praticamente impossível retomar as margens de lucro, que eram de 38 bilhões de dólares e despencaram para 17 bilhões de dólares em 2007, vendendo música da maneira tradional.Foi então que a indústria fonográfica percebeu que quanto mais se restringe o acesso ao público, menos se consegue lucrar com músicas pela internet. Uma das maiores provas disso foi a decisão da Amazon.com de vender músicas em mp3 sem DRM. Eles vendem músicas em média a US$ 0,89 para o mercado americano e há informações de que a loja passe a vender músicas on-line para mais países.

Já a Last.fm, oferece ao usuário a opção de ouvir a música 3 vezes antes de ser oferecida a opção de comprar a música. O resultado foi o aumento nas vendas. Na Índia, há o site RadioVerve, que apóia que artistas locais coloquem suas músicas no site para que o púplico possa escutar. Assim os músicos podem ter seu trabalho divulgado e ganhar com shows e apresentações ao-vivo. Há artistas, como o australiano Jamison Young que chegam a quebrar contratos com gravadoras para poder divulgar livremente suas músicas pela rede, através de blogs ou websites. Isso faz com que se alcance um público muito mais amplo.

A indústria fonográfica parece ter notado que deixar o público ‘provar’ a música pode facilitar a compra do conteúdo, coisa que a indústria do software percebeu a muito tempo e explora com o shareware, e coisa que as empresas de produtos alimentícios notaram há muito tempo atrás, ao colocar degustadores dos seus produtos nos supermercados. Talvez possamos ver em pouco tempo um mercado de música digital mais sólido, e se as gravadoras não cuidarem logo de se adaptar aos novo tempos do setor, podem ver sua função de ponte entre o artista e o consumidor ficar sem nenhuma função.

Fonte: http://icommons.org/articles/the-business-of-free-music

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